Nabade e Abiú, filhos de Arão , pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentando incenso, e trouxeram fogo profano perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados. Então saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor. (Lev. 10;1-2)
Essa passagem de Levítico, nos mostra que os filhos de Arão foram levar á presença do Senhor um fogo que não provinha dele. Pois podemos ver em Levítico 6:12-13, que Deus já havia além de dado o Seu próprio fogo, e nesses versículos deixa claro que era um fogo que deveria ser continuamente alimentado, pois era um fogo santo. E ao trazerem ao altar incenso aceso com outro fogo, ao invés daquele que procedia do Senhor, eles trouxeram fogo estranho e que não foi aceito pelo Senhor, afinal não provinha Dele e por isso não seria aceito.
Vemos que Pedro também foi influenciado e levado ao engano pelo mesmo “fogo estranho”.
Na ceia com os discípulos, Jesus dá um alerta a Pedro sobre este fogo que haveria de queimar-lhe, (Lucas 22:31-32) mas que o próprio Jesus pela graça, amor e misericórdia intercedeu por Pedro, para que mesmo que este pegasse em fogo estranho, não fosse por ele consumido. Afinal Jesus já sabia que Pedro tinha ainda a predisposição para se desviar do caminho e ser pego pelo laço do inimigo.
Pedro nessa mesma passagem afirma que : “...Estou pronto para ir contigo para a prisão e para a morte.” (versículo 33). Mas Jesus sabia que Pedro era carne, era humano e que na “ hora do vamovê” não seria bem assim.
Quantos de nós já não fizemos essa mesma afirmação? Quem ,em um culto, já não afirmou que morria mas não negava a Jesus?
Bem, entendamos o porque Pedro, assim como muitos de nós, acabou negando Jesus, mesmo afirmando que nunca iria fazê-lo.
Primeiramente, entendamos que apesar de suas mancadas, Pedro era um dos mais devotos discípulos de Jesus, pois deixou tudo para trás, a fim de seguir a Jesus (Mateus 19:27), foi ele também quem confessa que apenas Jesus é quem tem as palavras de vida eterna (João 6;68-69). Enfim, ele era um dos mais dedicados e crentes no poder e na identidade de Jesus como o Cristo.
Mas vejamos em Lucas 22; 54 a 62 , que sua queda se deveu a um simples fato; “Pedro foi se achegar ao fogo estranho”.
Ao ir se misturar aos inimigos de Jesus, Pedro ficou em uma posição desfavorável, pois foi contaminado pelo medo de perder não apenas o mestre, mas também um grande amigo, medo esse que ganhou o resto de seu coração e por estar sem a proteção e companhia de Jesus, afinal havia fracassado em defender seu mestre e amigo e isso fez com que se rendesse á pressão; negou que andava com Jesus, chegando a amaldiçoar alguém por conta da pessoa insistir nessa afirmação.
Não somos diferentes de Simão Pedro, portanto, mesmo sendo cada um de nós fiéis a Jesus, se formos nos aquecer em “fogo estranho”, que foi aceso pelo inimigo iremos fazer a mesma coisa que Pedro, negar a Jesus.
Negamos ao Senhor não apenas com nossas bocas, mas, também com nossas atitudes, e os locais mais propícios para se negar ao Senhor é em um local onde o inimigo predomina. Afinal se Pedro estivesse em meio aos que eram a favor de Jesus, essa com certeza tivesse sido sua atitude. E assim como Abiú e Nabade, que ao invés de procurar o “fogo puro e santo”, se foram a qualquer outro, acabaram por estarem mortos, e no caso de Pedro, mesmo não sendo fisicamente, mas seu espírito com certeza morreu por algum tempo.
Mas Pedro mesmo abatido e quebrantado, ao se recordar das palavras de Jesus ao predizer que seria negado, teve em seu íntimo um profundo arrependimento. E Jesus já havia intercedido por Pedro, para que aquele momento não resultasse em morte, como ocorrera com os filhos de Arão.
Vemos no final do evangelho de João que Jesus restaura a Pedro (João 21:15-17). Pois nessa ocasião Jesus conduz Pedro a uma experiência que limpa de vez a mancha que havia em sua alma, causada pela culpa de negar ao mestre.
Jesus leva Pedro a repetir que o amava, pelo mesmo número de vezes que anteriormente o tinha negado. A cada vez que Pedro respondia que sim, Jesus o orientava a cuidar de suas ovelhas.
Pedro nessa hora foi levado a entender que aceitar, amar, andar e servir a Jesus é muito mais do que apenas fazê-lo com os lábios, é ter as atitudes compatíveis com o aquilo que Jesus nos ensinou. Guardar os seus mandamentos e ensinos, fazer a vontade do Pai, e não apenas a nossa própria. O principal motivo de os filhos de Arão terem sido rejeitados foi o de fazerem uma adoração desleixada, levando qualquer coisa para Deus, além do fato de que ninguém os havia instruídos a queimar incenso, o mesmo que Pedro quando pouco tempo antes havia tomado a iniciativa de cortar a orelha de Malco, sendo também repreendido por Jesus.
Assim como fez com Pedro naqueles dias, Jesus continua a interceder por nós junto ao Pai. Mas isso não significa que podemos negá-lo toda semana e no fim de semana irmos a um culto e sermos restaurados. Pelo contrário, Jesus espera de nós a mesma disposição que Pedro teve depois que foi restaurado, a de ser alguém que se firmou na palavra e fez a obra, e não apenas ficou acomodado em sua vidinha medíocre.
Aqueles que são chamados para servir ao Senhor, devem fazê-lo de todo coração, e mesmo que caia, não fique no chão, mas pelo contrário, aceite a boa mão do Senhor estendida para ajudar a se reerguer e continuar na caminhada lado a lado com Jesus.
Pois ele nos restaura e renova a sua graça e misericórdia a cada manhã
(Lamentações 3:21-22)