segunda-feira, 29 de setembro de 2008


“Ele ordenou: “Cortem a criança viva ao meio e dêem metade a uma e metade a outra.” (1Reis 3:25)
Essa passagem retirada do livro de 1Reis está em um contexto em que duas mulheres disputavam a uma criança, sendo que uma delas era a mãe verdadeira e a outra uma farsante. Ambas eram mães e dividiam a mesma casa, tinha poucos dias de diferenças seus bebês e, portanto talvez poucos traços que fossem reconhecíveis para a maioria, mas não para uma mãe amorosa.
O “mundo” está cheio de pessoas que querem levar vantagem a todo custo, mesmo que outros paguem um preço alto para que os seus desejos sejam atendidos, seu bem-estar é mais importante do que o sofrimento de outrem.
Aquelas duas mulheres eram amigas, moravam sobre o mesmo teto e dormiam no mesmo quarto (v.17), porém quando uma das duas perdeu algo valioso, não hesitou em tentar “passar a perna” naquela que possuía algo que poderia ser o substituto para a perda. Não houve naquele momento por parte da que havia perdido um filho, o pensamento de que a dor da perda que ela sentia seria imposto à outra, que nada tinha a ver com o que acontecera. Mas esse é um traço que alguns ainda possuem; o seu bem-estar pessoal é lhe tão importante que se para conseguir isso outros tiverem de sofrer, isso pouco lhe importa.

Mas vejamos a coisa de um ângulo que possamos ter algum entendimento da conduta da primeira mulher, ou seja, a que perdera o bebê e o que a levou a tomar a decisão de substituí-lo pelo de sua colega.
A morte do bebê ocorreu por descuido, por culpa de uma conduta imprudente por parte da mãe. Mas o que a levou a tentar uma troca? Simples, primeiramente um filho homem seria de certa forma a garantia de um futuro menos sofrido, afinal se elas eram prostitutas, podemos pressupor que eram ambas sem um marido e que um garoto seria um futuro provedor para sua velhice, afinal é costume, até mesmo nos dias de hoje, que os filhos cuidem de seus pais (principalmente da mãe) em idade avançada, em outras palavras era o menino um investimento futuro.
O Segundo item que me vem à mente é o fato de que certas pessoas não conseguem encarar um derrota, não conseguem ficar por baixo, em segundo lugar, enfim são tão egocêntricas, que fazem de tudo para manterem uma “aparência” de vencedoras, mesmo que isso signifique que devem usar de fraudes ou meias-verdades.
O terceiro fator, em minha opinião o mais evidente, é que alguns não suportam o fato de serem incompetentes, gerando assim uma vontade de terem algo apenas para serem, a seu ver, melhores que os outros. De fato não importando se é aquilo que está em sua posse, lhe dando o “status” é realmente seu de direito ou não. Não pensam se é moral ou legalmente correto o que mantém esse status, desde que o mantenha. Nesse caso a mulher impiedosa, prefere que o menino seja morto (verso 26) e assim ainda manter sua postura, do que encarar a perda, preferindo a metade de um cadáver a admitir sua conduta imprudente, que levou a sua perda.
Essa postura mostra que essa mulher era alguém que realmente só se importava com sua aparência, de como seria vista pelos outros, pois se mostrou disposta a fingir um luto por uma metade de corpo que não era seu do que admitir que estivesse errada em sua conduta. Sua postura ao falar que era para dividir ao meio a criança mostra o quanto ela estava disposta a ferir outros para que ela própria fosse beneficiada. E convenhamos, era um benefício irrisório, apenas a imagem de mãe enlutada e injustiçada pelo rei, que para ela era melhor que a imagem de mãe relapsa.

Muitas são as pessoas que tomam atitudes parecidas frente a uma situação onde sua “reputação” irá ser arranhada. Claro que não chegam a ser tão drásticas, mas que não diferem na essência. Preferem que outros sejam prejudicados apenas para que sua própria imagem se mantenha imaculada, ou que seus interesses pessoais sejam preservados, não importando o custo a ser pago por outras pessoas.
Mas no texto de 1Reis 3:16 a 28, vemos como acaba sendo a justiça divina, neste caso através do rei Salomão, que usando a sabedoria que Deus lhe havia dado resolve rapidamente e com justiça a questão. Só que infelizmente na nossa vida, quando nos deparamos com situações assim,a solução ou a justiça nem sempre são tão rápidas, na verdade podendo levar mais tempo do que gostaríamos.
As vezes que passamos por situações em que somos alvo de pessoas como a mãe do texto ficamos mal, desesperados, humilhados e chegamos a irarmos com isso. Isso é o sentimento de que fomos injustiçados.
Porém algo que essa historia nos revela é que mesmo que injustiçados, é o nosso caráter e conduta que realmente irá ser decisivo em nossa vitória ou derrota. O exemplo da mãe que prefere que o filho seja criado por outra a ser morto, revela o quanto ela se importava com o bem-estar dele, a ponto de não hesitar em humilhar-se e pedir para que a outra mãe o tivesse, mesmo que isso, aos olhos de alguns que ali estavam, pudesse ser interpretado como uma confissão de culpa, ou que a outra tivesse razão.
É uma verdade ensinada neste texto, que amar verdadeiramente por vezes é aparentemente perder, é não se importar com o que outras pessoas podem pensar de nós, é abdicar do orgulho e da auto-imagem e pensar no bem daqueles a que amamos, assim como Jesus fez indo à cruz, mesmo sendo inocente.
Mas se ao nos depararmos com uma situação em que a nossa alegria dependa da tristeza de outros, devemos nos lembrar que a ira dos homens não opera a justiça de Deus (Tg 1:20).
No final, todas as coisas serão reveladas e cada qual receberá a sua justiça. Os que descansam e confiam no Senhor receberão a justiça merecida.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Campo de batalha

“Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir..." (1Pedro 1:13)




O apóstolo Pedro, em sua carta aos eleitos de Deus, nos adverte de que o campo de batalha, onde ocorrerá a grande maioria de nossas lutas, não se situa em uma planície, ou nalgum vale, mas sim em um terreno muito mais amplo, fértil e perigoso; a nossa própria mente. Lembrando que ao falarmos de mente, as referências também são para coração, que é como a Bíblia se refere ao lugar onde geramos nossos sentimentos e emoções.

A nossa mente é o campo de batalha, o lugar onde devemos enfrentar e vencer Satanás
Se não encararmos isso tal qual uma realidade, e se não tomarmos as armas para lutar e expulsar Satanás desse campo de batalha, viveremos em constante derrota, afinal nossa mente é o “Q.G.”, o centro de comando, o lugar de onde nascem as nossas decisões, estratégias e vontades. Se deixarmos que o inimigo se apodere, ou mesmo que infiltre um “agente”, a derrota será eminente, nunca venceremos a guerra totalmente.
Sem assumirmos todas as áreas de nossas mentes sempre seremos levados ao engano e com isso expomos um ponto de vulnerabilidade, onde com certeza seremos atacados.

· A Estratégia que o inimigo usa:
Mesmo que a vitória , já nos tenha sido garantida por nosso general, Jesus Cristo, o inimigo nunca desistirá de minar nossas forças como indivíduos, pois a estratégia de todo conquistado é a guerrilha, ou seja, uma guerra travada não em batalhas grandiosas, mas sim pequenas investidas, visando ações em que é enfraquecido a moral da tropa, ou seja ações “pessoais” contra os soldados propriamente ditos, em outras palavras; “nós” somos o alvo primário.
Quando Satanás caiu ele levou consigo a terça parte dos anjos do céu, ou seja, o Senhor tem no mínimo o dobro de contingente que o diabo nas regiões celestiais. Portanto, Satanás não ousa um embate direto com Deus, pois já provou de derrota(Isaías 14:12), por isso ele usa de seus ardis, para minar a resistência e o moral das tropas que são ainda vulneráveis às suas investidas.
As artimanhas de Satanás são a tempos conhecidas dos servos do Senhor, no entanto a maioria, por muito achar que as conhece, quando se deparam com as mesmas na verdade não as “reconhecem” e por isso acabam caindo em armadilhas mentais formuladas pelo diabo.
Assim ele procede desde os tempos de Adão e Eva, astuciosamente manipulando, mentindo, levando ao engano (Gn 3:4-6). Pois Satanás ao perceber que Eva estava vulnerável a uma investida, não deixou passar a oportunidade, e como todos sabemos, obtendo êxito em sua empreitada de semear dúvidas na mente de Eva, para que ela questionasse a palavra de Deus, e a mesma estratégia é usada por ele ainda hoje.
O primeiro erro de Eva foi o de emprestar seus ouvidos a serpente, que mentiu e contradisse a palavra do Senhor, chegando a garantir que ela não morreria, o que de certa forma era uma verdade, afinal Eva não morreu fulminada ao morder do fruto. Porém o que Deus havia dito era que se eles comessem do fruto, eles morreriam, mas não no mesmo instante, mas que iriam morrer um dia, um destino que não lhes pertencia antes.
O segundo erro de Eva foi o de conversar com a serpente, abrindo espaço para que o mesmo argumentasse e interagisse com ela, dando-lhe acesso á sua mente, onde acabou sendo o lugar de derrota de Eva, portanto, para não cometer os mesmo erros de Eva, devemos deixar de dar ouvidos a Satanás, identificarmos a sua voz e rejeitar de imediato, não querendo argumentar.
Para discernir a voz de Satanás, devemos conhecer a Palavra de Deus e saber como o inimigo ataca, estreitando nosso relacionamento com Cristo, de modo que conheçamos a sua voz (João 10:2-5), caso contrário seremos enganados pela voz do diabo.

· O campo da imaginação
Sabendo que Jesus nos libertou do poder do inimigo e devolveu-nos o pleno controle de nossa vontade, podemos reassumir esse controle, com a capacidade de dizer não a todas as tentações e de entregar todos os nossos pensamentos à supervisão do Espirito Santo, que nos ajuda a manter nossa vontade submissa à de Deus.
Em nossa mente existe uma área, onde ninguém pode entrar chamada imaginação, neste “lugar” restrito, um pensamento focado em um objeto, uma pessoa ou uma vontade, forma uma imagem em nossa mente, o que podemos chamar de “olhos da mente”. Pois quando um pensamento a invade, a imaginação forma uma imagem mental.
Nossa imaginação é muito importante para o Senhor, pois Ele sonda todos os corações e conhece a motivação dos pensamentos (1Cr 28:9), a verdade é que Deus odeia o coração que traça planos perversos (Pv 6:18), porque é possível, cometer pecados alimentando idéias malignas. Jesus nos confirma isso com sua palavra em Mateus 5:27-28.
O Senhor nos concedeu essa poderosa força em nosso ser, com um propósito, o de que buscássemos uma criatividade ilimitada, a fim de desenvolvermos uma mente produtiva, mas no momento em que Eva abriu as portas dessa área, a tornou propícia a ser poluída. Ao invés de usarmos esse dom para adorar e glorificar a Deus, passamos a usá-la para os próprios desejos e pensamentos malignos.
Por isso devemos pedir ao Senhor que nos ajude a tomar conta de nossa imaginação, retirando os desejos mundanos e egoístas de nossas mentes, restaurando o plano inicial para qual o Senhor a projetou. Por isso devemos por em curso uma exploração de nossas mentes á caça de todo e qualquer resquício de fortalezas de Satanás em nosso âmago, destruindo “ídolos”, desejos carnais e egoístas, substituindo por aqueles que vêm de Deus.
Quando o Espírito Santo mostrar onde deve ser limpa nossa imaginação, faça disso o alvo de luta por purificação.

· As contramedidas a serem tomadas:
1) Satanás ataca a imaginação com tentações : Rejeite, não deixe que seus olhos ou ouvidos sejam portas abertas para que o inimigo tome o controle, mesmo que temporariamente de seu coração.
2) Ao meditar na palavra de Deus, damos menos margem e espaço de tempo para que o diabo a ataque, afinal “mente vazia é oficina do capeta”
3) Submetermo-nos à vontade de Deus.
4) Enchermos nosso coração com o Espírito Santo, afinal, se nosso coração já estiver cheio não haverá espaço para mais nada.
5) Cativar todo nosso pensamento e levarmos à uma avaliação por Cristo, em outras palavras, devemos ponderar o que Jesus faria naquela situação.

Se Alimentarmos nossa imaginação com idéias erradas, acabaremos envolvidos em uma batalha contra nossa própria carne. (Tg 1:14), mas a mente inundada com a verdade o libertará de toda escravidão (Jo 8:31-32)

Se preenchermos nossas mentes com a palavra de Deus e a mantemos focada no Senhor , nossas atitudes e desejos serão transformados.

Amém.

Graça e paz amados